as cinco conferências de tavistock

jung pecha kucha!

carl gustav jung em 1935 realizou cinco conferências no institute of medical psycohology em londres. o público era um grupo de médiques de clínicas neurológicas, psiquiatres, psicoterapeutes e pratiques em geral.

durante os encontros ele apresenta a estrutura e o conteúdo da psique, a natureza das funções, um pouquinho de análise dos sonhos e da imaginação ativa, e de igual importância o valor das expressões artísticas (o que deixa alguns médicos meio surpresos, segundo  e. a. bennet que escreveu o prefácio do texto da compilação dessas conferências).

toni wolff ajudou no processo da elaboração e é agradecida no texto de mary barker e margaret game, que datilografaram e divulgaram mimeograficamente esse material (as minas )

aqui é feito presente o gosto de pouquinho sobre cada tema, um ótimo início metodológico para quem quer se aprofundar nos livros científicos de jung | não me refiro ao homem e seus símbolos, nem ao maravilhoso segredo da flor de ouro, por exemplo, mas das obras completas |.

mas claro, cada um tem seu caminho e lê jung como sua alma deseja! masssss, essa dica de começar pelas cinco conferências recebi da lilian wurzba  | e eu, leitora torta de jung & cia há tempos importantes de mim, decidi ser linear em 2022 e achei legal compartilhar essa informação, para exercitar meu lado pecha kucha difícil de ser!|

 

Primeira

jung na primeira conferência fala sobre as funções da consciência | o princípio homeostático e autorregulador do corpo| .

é nela onde ele comenta que as doenças são processos e não etnia per se  – a experiência laboral, pessoal e de investigação artística que tenho direciona para essa hipótese, mas o que diriam médicos e psicólogos e o senso comum? – e também o que diria o fisio que cuida da minha família muito bem!?

“similia similibus curantur é uma notável verdade da antiga medicina e, como tal, pode também resultar num grande engano” CJ

carl j também relata a consciência como uma fina camada sobre o inconsciente, de extensão desconhecida e comenta:

“quando dizemos inconsciente o que queremos sugerir é uma ideia a respeito de alguma coisa, mas o que conseguimos é apenas exprimir nossa ignorância a respeito de sua natureza”

jung fala sobre as famigeradas quatro funções da consciência: a sensação – a coisa é, o pensamento – o que ela é, o sentimento – o valor e a intuição, a função da consciência mais complexa, na qual entra a dinâmica do tempo. me arrisco a dizer que é aqui onde um estudo detalhado me fará feliz como uma ostra chilena o um beijo em paris!

pero nada me hará tan feliz como dos margaritas, só porque eu queira falar do chile e dos paralamas do sucesso.

em suma, esta conferência possui informações básicas sobre as funções, há também os gráficos, e deixo aqui minha versão, mas acredito que para se aprofundar é necessário ler e estudar jung, simples assim, e sobre esse tema compartilho uma linha de leitura para seguirmos nos próximos capítulos!

  • livro “a vida simbólica” Vol 1 – 18/1 obras completas – conferências de tavistocki – 1º seminário

  • livro “tipos psicológicos” 6 obras completas

  • livro “a tipologia de jung – ensaios sobre psicologia analítica” marie-louise von franz e james hillman – sugestão recebida durante a última sessão de análise

Segunda

o fio da meada nos leva a segunda conferência, é nela que carl jung fala dos testes de associação de palavras, dos padrões mitológicos do inconsciente, com elementos fora das atribuições do indivíduo.

o médico também vai citar levy bruhl e alguns conceitos que dentro da antropologia já estavam em desuso na época – sobre esse tema há essa palestra de ann casement, no canal thiasos onde ela cita o artigo de andrew samuels e o artigo jung o racista – sem passar pano é importante ter uma leitura crítica do olhar desse médico suiço – de qualquer maneira aqui está a base do inconsciente,  e as teorias dos complexos, propiciada pelos testes de associação de palavras.  acrescento rapidamente a citação da cientista natalia mota, que uma vez, sentada laltra bodega del born em barcelona, jogando conversa adentro, sobre sonhos, psis, arte e a eleição de borici no chile, conheci um cientista psicólogo chileno e começamos a falar sobre pesquisas sobre isso,  e papo vai e vem, quando nos damos conta falávamos de uma mesma mulher e cientista brasileira numa mesa de bar (claro, não era qualquer bar, era amor, ciência e arte)

“o mundo é aquilo que imaginamos” cj 

|busque o contexto lendo o livro!|

Terceira

aqui na terceira conferência é o momento da interpretação dos sonhos, jung já havia comentado antes sobre suas diferenças com freud, e nesse momento explica criticamente sobre a livre associação da psicanalise. o conferencista chega a dizer que não se interessa pelos complexos aos quais a livre associação pode chegar,  mas sim sobre o que os complexos tem a dizer de seus pacientes. a forma que jung nos apresenta é a de que o sonho é uma linguagem própria, e assim seu método se aproxima ao de um filólogo para entender o sonho como uma linguagem. é a amplificação, com o estabelecimento de paralelos pelo sonhador, mas também comenta sobre a importância do conhecimento mitológico especialmente para a expansão de sonhos arquetípicos | está muito resumido, me deixa até temerosa escrever tão pouco sobre algo tão complexo!|

não cabe agora adentrar na psicologia desenvolvida por james hillman e nas apresentasções de pat berry sobre o tema, mas deixaremos como referência, pois é desse universo que venho e vale a pena ouvir quando tiver curiosidade!

aproveito para comentar que em cada conferência é deixado um espaço para debate com o público de médiques, e é tão enriquecedor e divertido quanto sério ler essa troca.

para adoçar tanta informação deixo uma frase bela, e que me faz muito sentido nas minhas expressões

“os hindus, ao construírem um templo, deixam um canto sem terminar; só os deuses criam com perfeição.”

e assim, seguimos esse texto imperfeito para a…

Quarta

jung chega a quarta conferência falando sobre a experiência do efeito terapêutico ao abordar de forma geral uma doença, é dizer

“transportando-se uma doença pessoal a um nível mais alto e impessoal, atingia-se um efeito curativo” cj

este efeito e comentário de carl é referente sobre as mitologias e o desenvolvimento do conceito dos arquétipos. recentemente ouvi de algumas alunas, colegas entre 18 e 21 anos da faculdade de psicologia o quanto se sentiam melhor ao saber os seus diagnósticos estabelecidos no dsm (algo que admito pré-julgar por razões que não vem ao caso discutir agora). talvez nomear permita aproximar-se de histórias, mesmo que essas histórias sejam contadas por influencers, mas que provocam um efeito sobre o entendimento de quem se é, ou se pode ser, e da percepção de como se é neste mundo, dos valores, possibilidades psíquicas e do mito do cérebro como um novo deus e seus perigos, pois seguimos sendo seres complexos)

sem delongas, voltamos para a conferência, o sonho será aqui melhor abordado como ferramenta de autorregulação psíquica, é importante lembrar que os avanços da neurociência validando essas pesquisas empíricas é bem recente, e os seminários são de 35 |ah, o carnaval de 35 que passou!|

neste seminário as referências orientais vão se expandir nos mitos de criação, dos seres originários hermafroditas e antropomórficos. porém gostaria de deixar aqui uma das perguntas feitas e a resposta, algo que me intriga pessoal e profundamente a estudar psicologia.

“dr . eric b. strauss:
pretende o prof. jung publicar as razões que o levaram a identificar certos símbolos arquetípicos com os processos fisiológicos?

c.g.jung:
o caso ao qual o senhor se refere foi a mim submetido pelo dr. davie, que o publicou sem o meu conhecimento. não desejo dizer mais nada sobre essa correlação, pois ainda não me sinto suficientemente seguro nesse terreno. questões sobre diagnose diferenciada entre doenças orgânicas e símbolos psicológicos são muito difíceis, prefiro não dizer nada quanto a isso no momento.”

Quinta

é na quinta conferência na qual jung entra no campo das transferências, faz um relato sóbrio e leve sobre as possibilidades da imaginação ativa e enfatiza a importância dos grandes fatos coletivos como o que realmente fica no inconsciente.
e ele diz:

“que nossa psicologia individual não passa de uma pele bem fina, uma pequena onda sobre o oceano da psicologia coletiva” 

e através desse explanação faz o discurso do “eu” fora do centro e disso o método de produção de imagens – imaginação ativa – enfatizando que são maneiras pessoais, e por fim relata um caso.

fato é que nada disso é novo na história da humanidade, o médico jung cita o caminho dos alquimistas, dos sábios do oriente e como em algum momento essa forma de fazer se dissociou, ou seja a alquimia se separa desses métodos das imagens, até chegar a nossa ciência unilateralizada. ele também cita que há clientes aos quais não lhes correspondem, por exemplo, a metodologia apresentada da imaginação ativa, sendo nesses casos um erro. não há um método fixo, há empirismos, e é dentro desse campo que se amplia o termo ciência (só para polemizar um pouquinho!).

há aqui um breve lampejo do conhecimento metodológico e empírico que busca não dissociar-se do mundo, nem do indivíduo, mas sim integrar evolução,  a composição orgânica, as eletricidades do corpo e  pó onírico em de nossa  história e maneiras de viver.


  • Imagem 1 – fio solto da obra | pedra, papel e tesoura | 2019
  • Imagem 2 – quadros do video para suca | areia preta |
  • Imagem 3 – a artigo citado na quarta conferência sobre a relação sonho e processo fisiológico, ficarei encantada o dia em que conversar sobre isso com um médico, espero que em breve

dream

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