das funções consciência
considerações:
este é um artigo que engloba algumas leituras, teorias e conceitos, sobre o caminho da experiência de alguns autores sobre o livro tipos psicológicos (o volume 6 das obras completas de carl jung). meu interesse é sobre o movimento das funções elaboradas por jung, não as vejo como categorizações, assim como carl tão pouco as via assim!
começando pelo fim, este não é um texto introdutório, há o suposto movimento da terceira função, apresentado pelo analista john beebe, fiquemos com feijão no colchão que incomoda a princesa para o próximo ato, ou seja as leituras de beebe, ainda não tenho essa experiência e reflexão para aprofundar no tema, por isso inicío aqui mencionando seu nome como provocação futura, uma aprendizagem sobre esse loki, a terceira função? o qual não é o meu momento de aprofundar agora, pois o que carece é viver. será arte? – este parágrafo é apenas o cenas do próximo capítulo!
este texto é uma obra mais que aberta, é escancarada para a vida, uma permanência de movimentos, expansão e retração de potencialidade teóricas, o qual tal como palavra tem uma função crítico-reflexiva, porém a experiência do tocar, da sensação conta mais no agora, no aqui apresentado, e é a ela que ele me leva, a biopoética – a vivência profunda da poesia da vida! [bio+poetica= o fazer da vida]
em suma, os “tipos psicológicos” é também um manifesto da potência das diferenças, e da consagração da transcendência como elevação vinda do rebaixamento das funções da consciência, ainda que em balanceio de suas presenças, a ação volitiva, o descer para subir. é a profundidade da consciência, tão esquecida por nós (me incluo) que por tanto amor e tanta arte somos capturados pela alma do mundo, pelas dores e não só elas, as belezas também, nos esquecemos desses movimentos da consciência que são “a la vez” os que permeiam o sutil e escandaloso contato entre ego e alma, esquecemos deles assim como as vezes esqueço da gramática brasileira.
em mais um intento de fazer simples, trago as leituras:
- Tipos Psicológicos OC6 Carl Jung
- A Tipologia de Jung de Marie Louise Von Franz e James Hillman
- The Many Words of Time – artigo citado por James Hillman no livro anterior
- The Journal of Analytical Psychology – 66 – issue 4 – uma série de artigos sobre o tema dos tipos
- Epimeteu e Prometeu de Carl Spitteler
sobre o livro tipos psicológicos existem diversos resumos e leituras que abordam do que se trata o livro, meu conselho, leia o livro e não se retenha a nenhum resumo ou citações sobre o mesmo. se ainda assim, sem muito espaço para dedicar-se a sua densidade, e o motivo das quatro funções, sugiro o capítulo V, que foi o mesmo que jung indicou a uma de suas clientes, de acordo como jhon beebe. (aqui ler o texto do artigo de jhon beebe e a minha carta a ele)
explico as razões, a leitura do livro permite ter uma real dimensão que não abre espaço para uma crítica barata a essa teoria, jung, com um olhar intuitivo, não há possibilidade de compreensão rasa, e menos ainda para sairmos da leitura categorizando a nós ou outros como tipos isso ou tipos aquilo.
embora o julgar categorizador pareça ser irresistível, divertido e leviano em certos momentos, diría que inclusive benéficos em outros. a taxação das categorias como verdade sobre quem são os outros pode nos tornar inflexíveis e justificar nossos atos como estáticos ou dar um sentido passivo para nossas famigeradas ações padrões e repetições, como por exemplo “eu faço isso porque sou intuitivo introspectivo, não consigo fazer assado …”. mas aí temos o trickster, o saci que torce o rabo do cavalo, e tudo se transforma em reviravoltas para ser o que se tem que ser. é fato que quase todos os autores que li concordam que as funções superiores ( as dominantes ) são quase imutáveis, certos riscos de inatas, quizás, mas isso não deve ser confundido com o movimento e as atitudes necessárias da própria vida, que emergem de uma cocriação entre os movimentos e energias de todas essas quatro funções essenciais (ou quantas derivadas forem), elas bailam entre si, e de vez em quando é um tango. a incerteza de qual função é a predominante, adaptada, superior ou inferior é como um motor para descobrimentos e atitudes do self (ou seria dos selfs? para provocar um redemoinho na multiplicidade de ser uma!. (aqui ler o texto de nastassia martin)
lejos de mi dizer que a transcendência seja necessária, não deveria me arriscar a falar sobre isso agora, na minha ignorância, mas talvez para sobreviver em consciência sim, ela seja ao menos necessária como consciência de sobrevivermos em certos momentos (mas a transcendência ainda não chegou com profundidade nos meus estudos, engatinhando há anos, ela vem!). ela é.
jung é bastante claro no livro, não há categorias, há formas e atitudes em relação a certas maneiras de experiencias, é saber de que somos diferentes, nos abrir espaços ao outro, e é na relação com o outro onde se dá o movimento e a atitude de uma função. o campo é de relação, movimento, o baile, e esse outre é tanto a vizinha da porta ao lado, quanto aqueles outres que se movem em nós
TIPOS PSICOLÓGICOS
olho o livro na estante e ele me produz até medo de toca-lo novamente, parece que me vai absorver por mais meses. longe de mim. (aqui a música de chico, pai afasta de mim esse calice e um pequeno trecho de von franz sobre o intuitivo introspectivo e seu medo)
EPIMETEU E PROMETEU
spitteler é o que indicaria como leitura primordial sobre os tipos psicológicos (epimeteu e prometeu de spitteler é o livro citado no capítulo V que mencionei antes como o sugerido por jung a sua cliente). apenas minha mirada. já faz um tempo que venho aprendendo de que as ficções são de uma nobreza muito diversa da alcançada pelos livros teóricos, mas meu movimento é conceitual, introvertido no objeto que se forma dentro da minha alma e me manipula. isso é quase me atrever a dizer que ler prometheus und epimetheus me provocou tanto como psychologische type, eles só querem sair. atitude!
pela consciência do universo, decidi que nada mais falarei. vou fazer.
THE JOURNAL OF ANALYTICAL PSYCHOLOGY
procurei um material sobre a relação das crianças com o desenvolvimento das funções, apenas uma crítica, com a qual talvez eu brinque. há um artigo sobre a infância que talvez seja leviano* ao trazer os aplicativos para elaboração e desenvolvimento das funções nas crianças, parece psicologia pedagógica, mas ao mesmo tempo em que eu o critico (sem ainda ter brincado com os aplicativos sugeridos pelas autoras e sem nenhum fundamento de experiência) quero mencionar aqui esse material. apenas penso, vai que funciona para alguém!
para mim, agora tudo escoa por outras veias!
mas o material que realmente é lindo de ler no the journal é a conversa de john beebe com steve myers , especialmente quando eles falam sobre tocar bateria, sim, o instrumento percusivo bateria e o descobrimentos das funções, uma delicinha de ler, rir e sentir! deixo aqui a página e o artigo como dicas.
outro material que está no the journal, um bem mais antigo e que me levou até essa revista, é a citaçao do the many words of time no livro tipologia de jung, no texto escrito por james hillman. admito que me obcequei tanto pelo tema de encontrar este artigo que demorei a chegar nele, é um artigo antigo, não está no número 66 que trata dos tipos psicológicos. e na verdade com ele, mais que relacionar função e tempo, que a marie louiz von franz também o faz (inclusive ela faz linearmente antes do artigo, mas seu livro foi publicado depois desse artigo citado por hillman). o texto é interessante e básico, bonito, essencial no sentido de germinar, e o importante é que todos esses materiais saem da experiência humana com as pessoas, o que difere muito do que faço aqui divagando sobre a relação dessas teorias e a minha vida, observando e sendo invadida, aceitando e acariciando imagens.
por curiosidade deixo aqui os aplicativos citados no artigo que menos tive envolvimento conceitual:
A TIPOLOGIA DE JUNG
fato é que muitos já disseram que a função principal.dominante.superior só pode ser rebaixada, para uma aparição das demais, por uma questão da homeostasis. penso que esse movimento não é o único a existir, tudo pode acontecer, mas que caso uma função não principal seja elevada é uma atitude provisória e talvez carcerária que servirá a outros deuses, e no fundo, talvez tenha um “para que” disso ser feito. ananké. mas e o trickster, como atua nisso? quantas infinitas dúvidas, quantas buscas ainda por vir na poesia da vida.
o livro tipologia de jung da von franz e do james hillman é uma obra cotidiana, mais terrenal e de cotilleros, curiosidade, perdi o meu livro em um táxi, fiquei furiosa. mas nem isso me fez deixar de ter voracidade, cega, sobre o tema. agora já não tão cega, menos volátil, escrevo: o texto de hillman no livro, sobre a necessidade da função sentimento me parece pertencer a uma época que vagamente se supera, ainda vivemos nesse tempo, não diria isso porque minha vida é repleta de pessoas nascidas sobre esse espírito e tempo, mas é fato e diferencial perceber como esses seres ao meu redor lidam com essa função, de forma diferenciada, grande parte de uma nova geração. sem ilusões. livro fácil e aberto a retornos, marie sendo precisa e aberta, coisas dela que descubro aos poucos, e “me enamoro”.
por fim, aqui roubo da aula do waldemar magaldi a citação de jung “a psique individual não se explica por nenhuma classificação”
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Curiosidade
as versões de carl spitteler de prometeu e epimeteu
- INDEX FOR VOLUME 66, 2021. Journal of analytical psychology, 2021. vol. 66, no. 5, pp. 1257-1262. ISSN 0021-8774. DOI 10.1111/1468-5922.12744.
- JUNG, C.G. (Carl G., 2013. Tipos psicológicos. Madrid: Editorial Trotta, S.A. ISBN 84-9879-482-X.
- FRANZ, Marie-Louise von; HILLMAN, James. A tipologia de Jung: ensaios sobre psicologia analítica.
- Prometheus und Epimetheus de Carl Spitteler



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