An Experimenting With Time – Jhon Dunne

ou Para não dizer que não falei das imortais, as Rosas

Um alerta, para as que estão acostumadas aos textos “rotos” deste blog, desta vez o imagino um pouco mais serial, sério? É necessário escrever sobre esse livro “An Experimenting with Time” de Jhon Dunne, engenheiro de aviação do início do século passado, um homem e cientista o qual elabora uma teoria a partir de sua experiência com a presença tempo. Essas coleções de itens individuais arranjados e serializados, e a nossa presença de observadoras desses arranjos. Sua inspiração, os sonhos!

Para a minha felicidade Jorge Luis Borges tem um texto sobre Jhon D., belíssimo  (El Tiempo y J. W. Dunne), não me atrevo a ser mais profunda e concisa que um desses meus imprescindíveis, e tão pouco me surpreende que o Borges de Aleph, e suas tão belas experiências místicas1, tenha se aproximado de Jhon Dunne [1875 -1949]. Por sinal, admito certo orgulho e privilégio em ter encontrado Dunne ainda mais já sendo admiradora de Borges.

Aconselho a leitora, agora já avisada, que leia o texto de Borges aqui, acredito ser ideal para quem ficou curiosa sobre Dunne, e não tem o tempo disponível para ler seu livro no agora.

Sem delongas, escrevo o mesmo sobre o artigo do professor e filósofo Curado, da Universidade do Minho em Portugal, seu texto “A realidade do futuro em J. W. Dunne” faz um recompilado sobre as obras de Dunne e a imortalidade do tempo, e é um belo escrito, com referências de outros campos do saber. Além desses dois textos, para quem é mais fã da temática do infinito em Borges há também um artigo de Mireya Camurati  “Borges, Dunne y la regresión infinita” sobre as influências de Dunne sobre Borges, recorrendo aos escritos de Bioy Casares e oferecendo-nos pormenores nas obras do argentino, dessa vez não tão poético, mas bem documentado e preciso. Inclusive, antes de falar sobre o texto, deixo um trecho do texto de Mireya que faz sentido citar, é gracioso e deixa este meu escrito com um pouco da beleza borgiana:

“Borges se previene muy bien del riesgo de convertirse, segun sus palabras, en <<un argentino extraviado en la meta- fisica>> (I01, 235). Asi, cuando se ve próximo a conclusiones doctrinarias o solemnes, cambia el tono con ironia o gracia socarrona. Por ejemplo, al comentar <<nuestra incapacidad natural de concebirle principio al tiempo>, anota: <Adolecemos de la misma incapacidad en lo referente al espacio, de suerte que invocar una Eternidad Anterior es tan decisivo como invocar una Infinitud A Mano Derecha> (HE, 104).”

CAMURATI, Mireya

Sobre o livro de Jhon Dunne “An Experimenting With Time”

O livro “An Experimenting with Time” chegou a mim no grupo de estudos sobre sonhos (mais um nobre grupo de estudos sobre sonhos, do qual também tenho muito orgulho e me sinto privilegiada em participar com o sifu José Ballestrini e outras pessoas incríveis). Os encontros, que apenas começamos, estão no momento de uma leitura aprofundada do livro “Seminários sobre sonhos de crianças: sobre o método da interpretação dos sonhos” de Carl Jung. Entre experiências, leituras e uma breve tentativa de categorização sobre os tipos de sonhos introduzidas por Carl J, é citado por ele este livro de Jhon Dunne. Para ser mais específica isso ocorre no momento em que relata sobre a frequência com a qual sonhamos com um motivo que terá importância somente no próximo dia, ou mais adiante, (JUNGp.22). Esse tema será amplamente investigado do ponto de vista, eu diria físico e fenomenológico, por Dunne. Mas nos nossos encontros e estudos sobre sonhos as possibilidades oníricas são mais amplamente estudadas, vão para além dessa função experimentada por Dunne e principalmente são ampliadas desde o ponto de vista psicológico, como expressão do inconsciente, diferente do foco de Dunne no livro em questão.

Mas sou torta e curiosa, quero dizer, não ando em linha reta, busquei o livro de Dunne e “me atrapei” nele por um anzol que mesclava meus deleites de sessão da tarde “ochentera” vendo “Back to the Future”, filme que há muito não revejo e outras inquietações sobre o inconsciente e o tempo. Seguindo este fluxo de pensamento, ou brincadeira, li o livro como uma grande viagem de um autor engenheiro aeronáutico, gosto de salientar isso por ser uma forma de enfatizar seu olhar físico e fenomenológico na percepção dos sonhos. A princípio parecia uma grande brincadeira de Dunne com seus sonhos, vendo-os como probabilísticos, ele experimenta os sonhos ao longo de sua vida, relata e conclui com seus aprofundamentos em uma fórmula do tempo que não se desencontra da teoria da relatividade, vindoura de sua época, e propõe essa infinitude de tempos do tempo, e isso não é novo no pensamento humano, por exemplo, no artigo de Borges (um também enamorado pelo tema do tempo) faz uma bela referência a essa percepção na cultura hindu2. Curioso isso para quem vem há tempos tendo sonhos hindus, de certa forma, essa sou eu onírica. Mas a brincadeira aqui são os sonhos de Dunne e o tempo, não meu sonho, mas deixo umas imagens para divertir.

O livro de Jhon Dunne é de simples compreensão nos seus primeiros capítulos, quando nos conta sobre como se desperta sua curiosidade sobre os próprios sonhos e a constância das suas funções probabilísiticas, ainda que ele não utilize este termo. Em palavras simples ele sonha com situações que passam a acontecer num futuro, e ao longo de sua vida passa a estudar essa ocorrência tão frequente. Após esses relatos ele inicia uma série de experiências, com os sonhos, e delas faz uma explicação bastante racional sobre o como esses sonhos possuem essas característica de se realizarem no futuro. Concluí essa relação do sonho com os acontecimentos sonhados como uma experiência do tempo. Depois desses exemplos, a partir da metade do livro, apresenta seus diagramas e explicativos das relações entre o acontecimento, o sonho e o tempo de suas percepções. Suas inquietações sobre o tempo tornam-se um conhecimento mais explicativamente abstrato . Insisti em não abandonar a leitura, mas não o segui como uma boa aluna de física. Basicamente Dunne traz através de experimentos com a experiência onírica a percepção de um tempo que vai para além da ordem de passado sonhado, tornam-se presentes e antecipam futuros reminescentes de um tempo já percebido num passado, como linearidade. Através dos seus experimentos nos apresenta uma outra lógica de existência do tempo. Além do livro, mas ainda sobre Dunne, Borges escreve que “ante una tesis tan espléndida, cualquier falácia cometida por el autor resulta baladí”. Sim, há uma falácia para mim, provavelmente nao a mesma que é para Borges, mas próxima! Não é da competência de Dunne, é de sua forma de explicar o mundo, o que não é um esquecimento, mas vamos chamar de forma de ser, ou até tipologia de ser. Claro que isso não é uma falácia em si, mas venho de um universo do tempo na psique, da experiência onírica como relacional entre alma e consciência, o que em sua profundidade é também a relação de busca de Dunne, mas não com esses conceitos. O autor não percorre a psique influenciada por esse tempo serial, a cita, a percebe como experiência, sabe de sua existência e escreve sobre a sua influência. Porém, se por um lado a explanação e aprofundamento do engenheiro não é sobre o tempo na psique, ela não é seu foco neste livro, por outro olhar Dunne se aprofunda no Tempo físico percebido através de suas sensações, mas talvez apreendido em um primeiro momento por sua inquietação interna. Uma outra forma de estudar e perceber essa concomitância do Tempo na percepção da Psique, é através dos sonhos (e outras expressões do inconsciente), os Tempos da Alma3 e o tempo da Consciênica. Escrito isso, saliento que o meu sistema de valoração do tempo, usado aqui para relatar sobre Ele, se supõe que vem dos sonhos, mas isso já é poesia demais para um texto no word, que segue a métrica ocidental e europeia de pensamento, a linha reta, mas já começa a ficar confuso.

Além dessas divagações não ignoro a delicadeza e potência das citações de Borges sobre as referências hindus sobre o tempo (já leu o texto de Borges?). Ainda não me dediquei a elas, embora estejam aqui saltando no meu pescoço, como se fossem citações loucamente querendo ser ouvidas. Entendo com neurônios brasileiros o tempo circular do oriente, talvez em um ou outro instante algo dessa outra forma de viver o tempo se aproximou de mim, mas não é essa forma quem ordena meu cotidiano das folhinhas católicas da minha vó em São Roque.

Retornando das pequenas viagens artísticas para o cientista, o autor do livro em questão, Dunne, encontrei sobre ele um artigo de J M Curado (Universidade do Minho), que é muito preciso em sua apresentação sobre nosso autor, copio aqui: “A obra de John William Dunne (1875-1949) sobre o tempo é mais conhecida pela sua influência em escritores como J. B. Priestley e Jorge Luis Borges e em filósofos como C. D. Broad do que pela leitura directa dos cinco livros que dedicou a esse tema (An Experiment with Time, de 1927, The Serial Universe, de 1934, The New Immortality, de 1938, Nothing Dies, de 1940, e o póstumo Intrusions?, de 1955)”.

Esse artigo, de 1999 é uma leitura prazerosa, com novas referências e uma atualização nas ciências (mas já passaram alguns anos né!), pois aqui mergulho no artigo do filósofo e professor português Curado. Impressionante a facilidade e o aprofundamento com o qual é estabelecido um dialogo entre o “An Experimenting on Time”e a atualização científica dos estudos da neurociências, das físicas e também das artes

É no texto de Curado onde a essência da obra de Dunne, é resumida com a maestria de um filósofo, afinal “rota” ou não, investigo a vida pelo inconsciente através dos sonhos, e neste momento estou em extrema dedicação ao Jung, mas como ignorar um livro que te arrebata por vir de um engenheiro que parecia brincar com sonhos? Minha indisciplina não me deixou ignorá-lo. Essa foi a primeira sensação que tive de Dunne, que ele brincava com os sonhos porque neles percebia uma lógica dos tempos e da imortalidade, vale ressaltar: mesmo sendo ateu.

O filósofo português vai resgatar o valor das teorias físicas de Dunne, agora a relevância aos sonhos é de mim raptada pela importância física do observador em suas investigações. Dunne enfatiza o observador, e Curado resgata essa potência que eu deixava um pouco de lado pela minha aversão e falta de compreensão de boa parte da física de seu texto, o observador dentro do observador de Borges sempre me chamou mais atenção que os diagramas de Dunne. Por isso recomendo a leitura de Curado, em especial quando nos traz novamente Poppe4 (que também fica aqui um pouco de lado neste texto, mas certamente retornará).

De Jhon Dunne apenas li esse livro “An Experimenting with Time”, mas retornado a Curado é enfatizada a importância desse conhecimento sobre o observador, já tão experimentado pelos homens e mulheres comuns, nós os seres das ruas5 .

IT is never entirely safe to laugh at the meta-physics of the “man-in-the- street.” Basic ideas which have become enshrined in popular language cannot be wholly foolish or unwarranted. For that sort of canonization must mean, at least, that the notions in question have stood the test of numerous centuries and have been accorded unhesitating acceptance wherever speech has made its way.

Moreover, the man-in-the-street is, all said and done, Homo sapiens—and the original discoverer of Time. It was from him, and from him alone, that science obtained that view of existence.

DUNNE, Jhon

Para mim, o que fica desse livro e artigos é a importância do tempo percebido e sua forma de apreciação, o valor dado aquela pequena eternidade constante e mutável. Nas artes, talvez tanto quanto nas ciências, a percepção, o incômodo, a busca e a profundidade desses dados, valores, métricas e sonhos é tão observável quanto experimentada (aqui cabe uma outra pesquisa de expressões).

Où sommes-nous, les fous ? (achei que em francês faria mais sentido)

É desse caminho físico, da maturidade da pequena criança que ao sair da sua infância se depara com um sonho em que estava acordada, e ao acordar, sonhava que era o sonho6. Perceber-se observadora do tempo é presentear-se com a densidade do agora, com a imortalidade que alguns (mesmo sendo ateus) dão ao que também chamam de alma. Assim como o exemplo trazido por Dunne, citado por Curado, da rosa imortal:

A representação que Dunne faz da imortalidade é melhor ilustrada com o recurso a uma rosa. Este símbolo da fragilidade da beleza no tempo é visto por um observador superior como existindo perene- mente: a rosa é imortal, se floriu uma vez, floriu para todo o sempre: «A rose which has bloomed once blooms for ever» (ND 63, e NI 16-17). Tudo o que surgiu no tempo 1 continuará a existir para sempre no tempo 2. Aqui, tudo tem início mas não fim: «in second-term time (which gives the key to the whole series) we individuals have curious — very curious — beginnings, but no ends» (SU 36).

De encontro ao agora surge um sutil pensar sobre a possibilidade de que essa infinitude física do tempo seja uma imagem relacional com uma anti-lei do próprio Tempo, seu próprio paradoxo, o qual insiste em existir em nossa consciência porque também nos é desconhecida suas peripécias e sua presença de Tempo Rei do Inconsciente. Aquele que transforma as velhas formas do querer, GIL. Nós que atravessamos esses espaços de observadoras, o percebemos, o estudamos, sentimos, somos nós, seres das ruas, ou homem e a mulher comum observando e ao mesmo tempo sendo atravessados pelo próprio Tempo. Outros parecem navegar entre esses tempos com a maestria de quem sabe algo mais sobre essa entidade física (conhecimento é usado como forma também inerente à experiência7*). Essa experiência “Qualia” sobre o tempo, parece algo que sou privada pela minha outra forma de experiência do Tempo, a rotina solar, dos trabalhos e os dias. Porém, talvez existam momentos em que a vida permite-se experimentar esse “de volta para o futuro”, sem entrar aqui nas questões da sincronicidade de Jung (que não é o caso, ao menos não na sua superficialidade tratada aqui), nos sonhos esses tempos são cruzados, nas artes esses tempos dançam. Seriam a expressões do inconsciente, expressões dos Tempos?

Em suma, esse texto é uma divagação sobre esse material lindo, estruturante e poético que li nesses tempos! E de coração uma homenagem aos tempos daqueles que seguem a me inspirar Lanny Gordin e Sergio Dias (mas esses são minha inspiração eternizada para uma infinidade!).

  1. Aqui deixo a entrevista de Luce Lopez Baralt sobre a mística, na qual relata em diversos momentos sobre a vivência mística de Borges, há também um vídeo sobre o tema em uma entrevista de Luce ao casal sufi,do psicólogo e escritor Rafa Millán e a historiadora e escritora Mardía Herrero.* ↩︎
  2. Todas as referências de Borges provocam curiosidades, os alinhamentos com a mística e forma de percepção da vida no oriente também traz novas formas de tempo. Cada povo tem sua forma, para não ser mais infinita e dizer cada ser! Essas referências ficam para uma nova pesquisa, mas copio aqui o trecho para aquelas que ainda não leram o texto de Borges sobre Dunne, que volto a recomendar:“El séptimo de los muchos sistemas filosóficos de la India que Paul Deussen registra[5], niega que el yo pueda ser objeto inmediato del conocimiento, «porque si fuera conocible nuestra alma, se requeriría un alma segunda para conocer la primera y una tercera para conocer la segunda». Los hindúes no tienen sentido histórico (es decir: perversamente prefieren el examen de las ideas al de los nombres y las fechas de los filósofos) pero nos consta que esa negación radical de la introspección cuenta unos ocho siglos. ↩︎
  3. Alma, não vou entrar em detalhes sobre a palavra alma usada aqui, por uma questão de lógica se a uso com letra maiúscula, a Consciência também deveria ser usada, mas por um lapso de necessidade do espírito da época, Alma seguirá em maiúscula e Consciência em minúscula. Não que eu queira diminuir a importância de uma em relação a outra, mas o tempo pede isso. Em outro momento já veremos! ↩︎
  4. Curado escreve sobre a teoria da mente que defende a autonomia cos Qualia e o paralelismo psiconeuronal “Algumas décadas depois da morte de Dunne foi possível mensurar o hiato temporal entre estas duas séries, por exemplo Benjamin Libet e Ernst Pöppel). A série temporal que decorre no universo exterior ao sujeito não é a mesma que a série temporal que decorre no cérebro do sujeito, ↩︎
  5. O texto de Dunne valoriza o conhecimento popular, a experiência, inspirada por sua maneira respeitosa sobre a vivência popular, gostaria de contar que faz umas duas semanas ouvi o relato de um sonho de uma criança que acabava de fazer 11 anos que sonhou que estava dormindo sonhando, e que se via acordado a ele mesmo sonhando e que acordava (no sonho) e e se via sonhando. Um relato comum de uma passagem para a maturidade psíquica  de consciência de estar no mundo, ou como ele diria “em la verdadera vida”.Deixo aqui esse relato porque apesar de sua tipicidade para os que estudam sonhos, é para mim um momento importante de contato com os e as outras que me contam seu sonhos, momentos que felizmente vão tornando-se mais frequentes! ↩︎
  6. “Una noche soñé que era una mariposa que revoloteaba contenta de su suerte. Luego desperté siendo Chuang Chu. ¿Quién soy en realidad? ¿Chuang Chu que se imagina que ha sido mariposa? ¿Una mariposa que sueña que es Chuang Chu?
    Los diálogos de Chuang Tse. José J. de Olañeta editor ↩︎
  7. Curado fará referência sobre “What Mary Didn’d Know”e os Qualia de Dunne – aqui não entrarei em detalhe porque o que trago é apenas uma sugestão sobre aqueles que atravessam os tempos e caminham entre eles, vezes com desenvoltura, vezes com loucuras doloridas. Para mim são essas pessoas que circulam entre os tempos, as que os experimentam como forma de conhecimento. Por isso aqui a referênia ao Qualia de Dunne, sobre aquele conhecimento que só pode ser apreendido desde a experiência. ↩︎

Sonho – Nação Zumbi

Estão comendo o mundo pelas beiradas
Roendo tudo, quase não sobra nada
Respirei fundo, achando que ainda começava
Um grito no escuro, um encontro sem hora marcada

Ontem eu tive esse sonho
Nele encontrava com você
Não sei se sonhava o meu sonho
Ou se o sonho que eu sonhava era seu

Um sonho dentro de um sonho
Eu ainda nem sei se acordei
Desse sonho quero imagem e som
Pra saber o que foi que aconteceu

Hoje de manhã eu acordei
Sem imagem e sem som

Dengue _ Gilmar Bola 8 _ Jorge du Peixe _ Lúcio Maia _ Pupillo _ Toca Ogan.

Los diálogos de Chuang Tse. José J. de Olañeta editor –

copiado do artigo “El Secreto de La Flor de Oro” de Raquel Paricio García