resumo do livro OC 7/2
Para ser mais concisa nesta postagem deixarei o resumo sobre o livro. Pois essa leitura é parte do meu aprofundamento conceitual sobre a Função Transcendente (mas ela em si, são transcendências para uma vida, ou se você preferir, muitas!). Aqui é apenas um resumo, e antes algumas considerações.
De onde surgiu o livro?
Antes de contar o causo dessa leitura, quero adiantar, que já faz tempo que o li, reli, anotei, intercalei com outros livros, debrucei-me em outros sonhos e por um lado que pode parecer procrastinador, não era ainda o momento de subir esse texto aqui.
Semanas depois das leituras, em um dos encontros sobre sonhos (agosto 2023), quando eu já via a mim como uma super conhecedora da teoria sobre a função transcendente, inflada, para usar um termo da psicologia analítica, uma colega pergunta sobre o que é a função transcendente, eu feliz respondo, para mim esta é a melhor definição!

Em seguida outra colega cita a leitura óbvia sobre a função transcendente, e claro, não é o 7/2 (O Eu e o Inconsciente) que eu carregava efusivamente nas minhas mãos, literalmente mostrando nas telas do encontro, mas sim o primeiro capítulo do OC 8/2 (Natureza da Psique),! E eu, inflada, faço, fummmm (onomatopeia para desinflar), como me esqueci desse capítulo? E realmente o esqueci, não que não o tenha lido, ao contrário, estava detalhadamente sublinhado e com várias notas!
Do fundo dos meus batimentos cardíacos e tripas, só posso entender que a prática precede a teoria! E nesse caso, não é diferente com a função transcendente, assim, aqui é só um resumo do livro, sobre a função transcendente teremos que seguir com este blog para ver o que acontece! Antes do resumo sobre o Eu e o Inconsciente OC 7/2 deixo este registro que fiz no dia 2 de maio, lembrando das minhas leituras do Journal of Analytical Psychology com as leituras sobre as tipologias do consciente elaboradas por Jhon Beebe. Seria a relação entre o Trickster e a função Transcendente o grande T, a Trilogia!?
Carta a Jhon Beebe
Como se estuda o Trickster?
Eu acho que ele a gente não estuda, ele aparece e desaparece!
De fato, ele desapareceu com a minha piteira de saci.
Isso também é uma carta de amor, ainda não estudei a função transcendente! Se estuda, ela é capturável?
Pois, sobre a inflação, aqui estou buscando textos que escrevi com o uso dessa palavra “transcendente” e veja só, não encontro nada profundo! E o que encontro é pura bobagem que escrevi com cuidado, questionando a necessidade da transcendência. Fato é que a vida sempre nos atravessa sem mais espaços para abstrações, que transcenda!
Deixo em seguida um diagrama que rabisquei sobre as considerações de Jhon Beebe e uma lista dos principais textos que me conduziram até aqui:

- Eu e o Inconsciente OC 7/2 – esta postagem que você lê é sobre esse livro!
- A Natureza da Psique OC 8/2 – capítulo 1 – sobre a transcendência
- Função Transcendente – A Novidade Surge do Paradoxo – José Balestrini – Fundamentos da Psicologia Analítica – Organização de Waldemar Magaldi (aqui tem um vídeo tira gosto caso você não tenha o livro)
- A Função Transcendente na Obra de Jung – artigo de André Dantas
- Estudos Alquímicos -OC 13 – capítulo 1 – comentário sobre “O Segredo da Flor de Ouro”
Antes do resumo do livro, e das futuras postagens ou possibilidades de transcendências (sendo leviana), deixo em registro que para mim, a música citada por Balestrini e o comentário sobre o Segredo da Flor de Ouro são os textos mais tocantes, poéticos e singelos sobre a função transcendente. Porém, para não perder o fio da meada, aqui será apenas uma travessia sobre o conteúdo do livro “O Eu e o Inconsciente – 7/2OC”. Deixando as produções sobre a especificidade da função transcendente para outras postagens, como já havia escrito.
Sobre o livro o Eu e o Inconsciente de Carl Gustav Jung

Revisado por Jung algumas vezes, a última em 1936. É no prefácio da segunda edição que Jung nos informa que neste livro está a ideia de autonomia do inconsciente1, o que o vai separar radicalmente de Freud, importante lembrar.
Nesse livro também estão expostos os primeiros estudos conceituais da psicologia analítica como inconsciente pessoal e inconsciente coletivo, persona, os polêmicos anima e animus e sendo um trabalho de versões e revisões nele encontramos os primeiros estudos de casos individuais nos quais algumas estruturas universais que serão verificadas e melhor estudadas ao longo de sua vida como cientista fenomenológico. Em 1928 Jung revisa essas formulações e publica o material, no prefácio de 1936 ele sugere que a continuação do último capítulo estará em seu comentário sobre o Segredo da Flor de Ouro, livro publicado com seu amigo Richard Wilhelm♡.
O caminho do livro Eu e o Inconsciente nos apresenta a estrutura do self como possibilitadora para a personalidade maná e segue em O Segredo da Flor de Ouro com a experiência da função transcendente. Aqui vou chamar de experiências conceitualizadas, nessa primeira parte não há quase nada de muito além do livro, apenas um resumo do meu olhar e anotações. Cada tema do livro possuí uma série de livros e recomendações a parte, como eu disse antes, o foco conceitual na Função Transcendente deixarei para outras postagens, enquanto as experiências atravessadas me permitirem dedicar tempo a este blog, com muito carinho e disciplina!
Resumo e Notas
PARTE 1 – efeitos do inconsciente sobre a consciência

I- Inconsciente Pessoal e Inconsciente Coletivo
- Jung vai utilizar o relato de um sonho de uma cliente para exemplificar sobre o processo transferência, a percepção da mentalidade arcaica (que será trabalhada melhor em símbolos da libido). Também vai perceber esse conteúdo inconsciente como parte da personalidade, e que a sua omissão geraria uma espécie de ressentimento moral. Aqui é onde vou questionar as interferências no corpo, soma, desse material inconsciente não integrado na personalidade de forma harmoniosa e que Jung escreve o quanto o sonho aparece como um recurso importante no qual emergem os pontos essenciais um a um.
Minha reflexão é que se nos sonhos o inconsciente aparece, e o sonho é um recurso biológico, insisto para o valor que esse recurso tem e nos permite uma aproximação do comportamento integral do indivíduo e da coletividade.
II- Fenômenos Resultantes de Assimilação do Inconsciente
- Nesse trecho Jung comenta sobre duas reações típicas dos clientes em relação à assimilação do inconsciente. Uns passam a crer que sabem tudo, assumindo responsabilidades que vão além dos limites. E, por outro lado, os que se abandonam, como uma constatação de um ego oprimente que o domina. Sendo superficial, já me vi em uma dinâmica de ambas situações no processo terapêutico. Um vai atuar com a autoconfiança (ação), ocultando o desamparo intenso e outro com resignação pessimista (sofrimento), o que no fundo é uma vontade de poder maior que o otimismo do primeiro tipo.
Importante ressaltar que a matização sutil é mais próxima da realidade, e que Jung sempre parte de casos para nos explicar suas constatações, e a nós cabe a experiência pessoal como condutora de saberes (é o que sinto!).
É nesse campo que vão surgir as representações sociais e as identificações, a psique pessoal e a psique coletiva. Jung vai escrever sobre a disposição psíquica herdada e universal, da natureza inconsciente e um pouco dessa relação indivíduo e sociedade. Isso é o que torna o ser-humano menos original e mais coletivo. Aqui é considerado o surgimento da solidariedade com o mundo, fato decisivo no trato de algumas neuroses (JUNG).
Jung escreve sobre as comunidades grandes como espaços onde há maior soma de fatores coletivos (obstrução do progresso espiritual da sociedade). “Nestas condições só poderão prosperar na sociedade o que é coletivo no indivíduo”. Acho interessante aqui lembrar da utopia de Skinner2 sobre a importância dos espaços pequenos, mas isso é uma divagação para falar sobre os “petit” países, comunidades e grupos. Seria uma liberação das grandes instituições patriarcais? As coisas pequenas? (deixo aqui uma canção de uns amigos para suavizar os tempos – Circo Motel – Coisas Pequenas)
Basicamente, para Jung quanto maior o agregado de indivíduos, maior obliteração de valores individuais. Jung vai detalhar a influência do consciente coletivo sobre o indivíduo e como fluxo a influência do inconsciente coletivo sobre a psique do indivíduo.
III- A Persona Como Segmento da Psique Coletiva
“O saber infla” São Paulo aos Corinthios. Não é o conhecimento, mas o modo como se apodera do indivíduo incapaz de ver e ouvir outra coisa. Deixo aqui o trecho de uma página que encontrei em espanhol, gosto da forma como traduzem sobre o inflar ao que Paulo se refere.
“La ciencia hincha (physioi – infla de orgullo), mas la caridad edifica” (v. 1c). Esta es la respuesta de Pablo a la declaración corintia, “todos tenemos ciencia.” Aunque conocimiento en servicio de los demás puede ser bueno, gente que usa su conocimiento para establecer su superioridad sobre los demás, no puede esperar un buen resultado. Seguramente resulta en una opinión inflada de sí mismo que no beneficia a nadie.
https://sermonwriter.com/espanol-exegesis/1-corintios-81-13/
Esta es la quinta vez en esta carta que Pablo usa la palabra physioi (4:6, 18, 19; 5:2). A veces se traduce como “inflado” y a veces “arrogante.” Obviamente, Pablo piensa que estar inflado – inflado de orgullo – es un problema entre los cristianos corintios.
Pero aunque el conocimiento infle, “la caridad edifica” – construye – bendice – al que ama y al amado. Si tuviéramos que elegir entre el conocimiento y la caridad (amor) haríamos bien en escoger la caridad. Si somos bendecidos con conocimiento, debemos combinarlo generosamente con caridad antes de mostrarlo. “
- Retornando ao contexto do que está escrito no livro, a Persona surge como algo além da arbitrariedade aparente, ela é um recorte da psique coletiva. No fundo ela é um papel no qual a psique coletiva se expressa (diria eu, nossa porção “caridade” ao mundo?). Um compromisso entre indivíduo e sociedade.
- O exemplo de Jung é sua paciente que 1° sonhava com o pai, 2° transferia o pai, amante e herói ao analista e 3° revivência uma imagem divina e arcaica. Com a dissolução da persona, se desencadeia uma fantasia espontânea. Ao aumentar a influência inconsciente coletivo, diminui o poder de liderança da consciência.
Para o Jung desse tempo sempre que surge uma dificuldade insuperável, esse processo é inevitável e os casos graves só podem ser curados (suas palavras traduzidas) com uma mudança de atitude ou caráter.
IV- Tentativas de Libertar a Individualidade da Psique Coletiva
- Restabelecimento regressivo da Persona – “Nas existências em que houve uma intervenção violenta e destruidora do destino”.
Aqui temos o exemplo do homem de negócios que entra em bancarrota e depois disso não desanima, mantendo uma ousadia salutar (ferida cicatrizada). Ou se sente destruído e renuncia a qualquer risco, rebaixando, por exemplo, a um trabalho inferior, pretendendo ser o que era antes da experiência crítica, incapaz de correr o risco. Agora, já não ousa tentar aquilo de que é capaz. Nesse caso se romper o vínculo de transferência pode gerar uma recaída completa.
Jung vai citar que Freud oferece uma ferramenta completa para a mente neurótica (tenho aqui pendente a leitura psicanalítica sobre o conceito da transferência). Mas no caso da paciente de Jung será diferente.Jung entende que o inconsciente sabe não só desejar, mas também cancelar seus desejos.
Então vamos para seguinte situação:
- Identificação com a Psique Coletiva
“O indivíduo que se identifica com a pisque coletiva, ou em termos de mito, que for devorado pelo monstro, nele desaparecendo, estará perto do tesouro guardado pelo dragão, mas involuntariamente e para seu próprio mal”.
Aqui me permito trazer uma serie de imagens, a que mais aprecio é a do Olivio Fidelis, deixo a foto que fiz de sua obra ao final do post,3 a qual me considero privilegiada em sempre revisita-la em diversas exposições. Mas o monstro não está engolindo, está cuspindo, verdade? O será que acontece agora que está fora desse monstro, sabendo disso!?
Aqui Jung também vai falar de que assim como o profeta é uma imagem primordial da psique coletiva, o profeta também o é.
PARTE 2 – Individuação

I- A Função do Inconsciente
Jung vai utilizar duas palavras Verselbstung (tornar-se a si-mesmo) e Selbstverwirklichung (realizar-se a si-mesmo) . Serão retomados o alinhamento de si mesmo, o despojamento de si mesmo e a preponderância do coletivo.
Após detalhar sobre essas diferenças, pode-se resumir a individuação como a realização melhor e mais completa das qualidades coletivas do ser-humano e o não esquecimento das peculiaridades individuais. Um desempenhar seu papel na sociedade.
Jung vai relatar as manifestações dos processos inconscientes, como sintomas, ações, opiniões, afetos, fantasias, sonhos sendo conclusões dos estados momentâneos. E o si-mesmo como uma grandeza que nos ultrapassa. Nesse texto Jung vai constatar o inconsciente como produtor de conteúdos válidos não só para o individuo, mas também para os outros: para muitos e talvez para todos (todes*).
No 290 § escreve que o inconsciente reage ao consciente, como se ao inconsciente faltasse a iniciativa, apesar de sua riqueza de significados. Considero esse trecho importante para comparar não só com outros textos de Jung sobre o caráter compensatório, mas também com outras correntes psicológicas. O próprio vai dizer que não pretende provar o inconsciente como apenas reativo. E desse campo chegaremos posteriormente a função transcendente.
Aqui vou copiar algumas notas do texto sobre a função do inconsciente:
- – elemento involuntário como qualidade essencial do pensamento criador
- – a imago que nasce da influência dos pais são criações específicas do filho
- – eu anotei rever antes os trechos sobre complexo paterno e complexo materno
- – um complexo pode se aproximar a tal ponto da consciência até que não seja percebido como algo estranho, mas sim próprio.
- – complexos como almas primitivas Ba Ka (Egito antigo), força anímica e divino espírito – Para mim o que mais chamou a atenção é quando Jung escreve que “Num nível mais alto e particularmente entre os povos civilizados do Ocidente este complexo é sempre feminino”, e isso expande um campo de consciência e ação.
II- Anima e Animus
- Jung vai discutir aqui sobre a imago parental, e da forma como o culto aos antepassados se transforma, moral e educacional, inclusive em uma instituição como a China. Ele escreve sobre um possível apaziguamento dos “revenants” os venerados (curioso que nos protocolos de Aniela Jaffé esse tema retorna dentro da sua própria experiência).
- Em seguida relata sobre a qualidade feminina da alma, como “adivinhação”. E eu escrevi nas minhas notas que esse texto é um documento datado de tempo e espaço, e que talvez a percepção de Jung sobre a integração entre o feminino e o masculino seja algo já transpassado hoje, quando em relação ao gênero, por sua literalidade em alguns aspectos desse conteúdo, que sim, tem seus vícios da época. E essa dualidade, esses opostos são, na minha forma de ver, transversais, são dinâmicos e não generalistas, ainda que seja um detalhe do tempo da superfície, ele é importante para não tornar literais as leituras dessas imagens.
“Todo ser homem, corporal e espiritualmente, já pressupõe o da mulher”, copio esta frase por acreditar que ela merece mais importância, por vezes me perco numa biologia evolucionista, em outras me vejo sendo machista e por contra natureza e consciência quero transpassar esses termos tão intrínsecos, ainda, aos seus gêneros nas expressões de alguns. Talvez essa frase possa ser lida tanto espiritualmente, na compreensão de feminino e masculino, quanto fisicamente nos gêneros primordiais, mas torná-la transversal é produzir futuros possíveis, de alguma forma esperanças mais interessantes do que a visão de um planeta apocalíptico para a humanidade.
Em minhas anotações está o livro As Sete Filhas de Eva do biólogo Bryan Sykes ainda não tive a oportunidade de ler! Pois De certa forma penso que esse tema se vincula ao que Jung vai escrever de que a forma do mundo que nasceu já é inata ao homem, como imagem virtual”, em seguida continua “num certo sentido, são procedimentos de todas as experiências dos antepassados, mas não essas experiencias em si mesmas”. Um pouco do seu olhar platônico, talvez!
- Jung também vai citar aqui uma relação compensatória entre persona e anima (vou usar a palavra que o Balestrini usa e que me agrada mais, uma dinâmica). E retomar o fato da persona como um sistema de relação entre a consciência e a sociedade.
- O termo complexo autônomo, suas relações de conpensações e que o homem moderno deve diferenciar-se não só da persona como da anima. Vai detalhar sobre essas aproximações e sobre o processo adaptativo como uma concessão aos dois mundos.
Quem vai escrever sobre o Animus é Emma Jung, também temos aqui pendente essa leitura! Em suma: anima e animus são complexos autônomos, conscientizar-se deles pode convertê-los em pontes ao inconsciente, esses fatos aqui conceitualizados só se compreende ao serem experimentados em si mesmos. Tudo o que temos são pistas e possibilidades, não há fórmulas!
Certamente os próximos itens sobre os processos de diferenciação das figuras do inconsciente e sobre a personalidade maná são os que mais me interessam desse livro para este momento de vida! Por isso vou deixar aqui as imagens dos resumos que fiz, mas vou escrever aqui apenas um ponto que vejo extremamente relevante (claro, a leitura do livro é uma outra experiência, e a experiência em si uma outra forma de conhecimento).








III- A Técnica de Diferenciação entre o eu e as figuras do inconsciente
Pois, aqui escrevo sobre o que costuma acontecer quando da conscientização das fantasias: ampliação da consciência, diminuição gradual da influência do inconsciente e uma transformação da personalidade (atitude). Admito que temo ser tão concisa assim, é o que está escrito, mas também é válido relembrar o que o próprio Jung escreveu antes “não há fórmulas”.
Por fim, aquilo que me trouxe a ler este livro, a função transcendente tem raízes também na filosofia alquimista (que vou relatar em outro texto). Trata-se da fusão de elementos nobres e vulgares.
Copiei do texto apenas esta frase, o restante está nas imagens fotografadadas das minhas notas de estudos.
“Ninguém que haja passado pelo processo de assimilação do inconsciente poderá negar o fato de ter se emocionado profundamente e de ter se transformado”.

IV – A Personalidade Maná
*conquista da anima como complexo autônomo e sua metamorfose numa relação entre o consciente e o inconsciente*
E eu me pergunto, e sobre a conquista do animus como processo autônomo? (para outro momento!)
Quem confronta com a anima é o eu consciente, e é ele que se apodera da personalidade mana. Essa personalidade mana é dominante do inconsciente coletivo, dessa relação, ou atitude, emerge a figura que toma posse da personalidade consciente. Tal perigo anímico tem uma natureza sutil, uma vez que pode aniquilar, através da inflação da consciência, aquilo que se ganhou do confronto com a anima. (ver o gráfico das minhas notas).

- Essa subjugação da anima gera uma figura coletiva que se julga apoderar do mana. Nesse caso o eu apodera-se de algo que não lhe pertence, ele não o adquiriu, ele, o indivíduo, mesclou-se com seu arquétipo (figura do inconsciente – o mago).
- “o mago” toma posse do eu porque este maquinava uma vitória sobre a anima
- a consciência não se torna senhora do inconsciente, simplesmente a anima perde sua arrogância
- o confronto é um reestabelecimento do equilíbrio
- existe um ponto de tensão onde é para o mana é o início do vir a luz da personalidade ( uma instancia inconsciente e consciente ao mesmo tempo, ou nenhuma nem outra )
- o inconsciente é um processo puramente natural (minhas palavras, biológico) sem objetivo (portanto evolutivo) e com direcionamento energético
- essa confrontação com o inconsciente permite que os conteúdos deixem de ser complexos autônomos (fenômenos da anima/animus), mas se tornem uma função de relação com o inconsciente ( Lehman – Mana – também busquei o material sobre o Mana de Lehman, mas não o encontrei e percebi muito trabalho que não vem ao caso agora).
- o inconsciente consiste em processos naturais que ultrapassam a instância humanamente pessoal. Só a consciência é “pessoal.”
- a consciência sobre os conteúdos arquetípicos da personalidade mana – liberta-se pela segunda vez, em definitivo – agora sentindo a individualidade
- dissolução da personalidade-mana através da assimilação consciente nos leva a nós mesmos!
- este ponto central= si-mesmo= selbst
- naturalmente tudo depende do uso que fizermos de nossos sete demônios”
É aqui que Jung fará uma referência mais a Zarathustra de Nietzsche “You would create a god for yourself out of your seven devils”, sem citar diretamente. Também é váilido lembrar dos sete demônios que possuíam Maria Madalena, e os sete metais alquímicos. Jung escreve que naturalmente tudo dependerá do uso que será feito dos nossos sete demônios, e aqui deixo a viagem em aberto!
-O selbst seria então a compensação entre o interior e o exterior, o eu não se opõe e não se submete ao si-mesmo, e assim “individua”.
Aqui termino o resumo do livro, e deixo em aberto o espaço para a continuação desses estudos nas leituras de Natureza da Psique capítulo I (OC 8/2) e a coragem de liberar do esforço e de ser “ele” próprio, e esse caminho nos levará ao belo prefácio do Segredo da Flor de Ouro. Quando tenho o material elaborado (escrito ou imagético), acrescentarei aqui os links!
Grata pela leitura!

- No comentário sobre o livro o Segredo da Flor de Ouro, Jung vai escrever sobre o inconsciente coletivo
↩︎ - O psicólogo behaviorista Skinner em seu livro “Walden II” vai escrever sobre uma pequena sociedade utópica e os valores democráticos como são percebidos nesse universo ficcional. Por outro lado também há o economista Niño Becerra sobre “los países pequeños” ↩︎
- Olivio Fidelis e outros artistas – fotos que fiz da exposição “Nise da Silveira: A Revolução pelo Afeto” SESC Belenzinho em 2022 ↩︎



