digital photography installation – 16 pieces – 40 x 60cm and 20 x 30cm – Rio de Janeiro, 2013


Nos últimos seis meses deixei São Paulo para vivenciar uma cidade misto de urbana e selvagem. Não que Sampa já não o seja, mas algo mais próximo do mar, ou ao menos que se avistasse a imensidão.
Foi assim que deixei o Minhocão para sentir mais leveza, perto de mais serenidade e quem sabe longe do torpor de cá. Mas, ainda na rodoviária, com o livro de Milán Kundera aberto me deparo com o peso “Aquele que quer deixar o lugar em que vive não está feliz”.
Vivi assim um Rio distante da alma encantadora das ruas para adentrar em florestas, conhecer pedras. Vivi. Foram quatro janelas, aquelas de Copacabana, mas Sganzerla não me deixava esquecer que o ” sol de Copacabana continuava a deixar os brasileiros completamente aflitos, tarados, atônitos e lelés”. Ruas, manifestações, Papas. Tudo ao redor e eu na pedra, no mato. Do caos, da infelicidade nele, fomos (eu era dois) para a escadaria e o encanto. Sempre o olhar era para os pés. Escaladores como bailarinos sublimavam meu olhar para essa dureza, fotografava-os, longe do concreto.
Voltei.
Amo esse canto, por onde flanei e adentrei a vida. Resgato os passos centrais de tempos de bancária, resgato o Minhocão que conheço cada viga. Mergulho nesse espaço. E percebo que deixa de ser busca, para ser encontro. Paro de buscar e me permito.

